fim de semana Materiais Adversos
23–25
outubro
2026
O fim de semana Materiais Adversos (fMA) é um encontro intensivo de três dias, de 23 a 25 de outubro de 2026, com partilhas públicas de residências artísticas em Minde e Alcanena. Nasce da vontade de manter uma presença artística continuada na região entre edições do festival materiais diversos, reforçando o território como lugar de criação contemporânea fora dos grandes centros.
Afirma-se como uma ecologia temporária de criação e encontro, onde investigação, prática artística e pensamento crítico coexistem, reforçando o compromisso da Materiais Diversos com modelos culturais descentralizados, sustentáveis e colaborativos.
A primeira edição, em outubro de 2026, propõe uma ocupação artística na vila de Minde, onde 11 artistas de várias disciplinas contemporâneas desenvolvem o seu trabalho ao longo de 10 dias de residência artística e investigativa. Constitui uma plataforma viva de experimentação e pensamento artístico, onde o público é convidado a entrar nos processos através de partilhas abertas, encontros, conversas e momentos de convivialidade, num fim de semana em que artistas, comunidade local e profissionais nacionais e internacionais se encontram para imaginar novas formas de criação, convivência e pensamento crítico.
Inserido na programação, realiza-se o seminário anual FUTURΛ, um espaço de reflexão sobre formas mais éticas e sustentáveis de produzir, apoiar e difundir a criação contemporânea. Reunindo artistas, programadores e agentes culturais, promove a partilha de práticas e o debate em torno de modelos culturais mais resilientes, cooperativos e comprometidos com o longo prazo.
Artistas em residência de 14 a 25 de outubro 2026:
❦ Bibi Dória
❦ Connor Scott
❦ Grilo & Inês Campos
❦ Luísa Saraiva
❦ Marga Alfeirão
❦ Miguel Bonneville & Sofia Dinger
❦ Natacha Campos
❦ Pedro Barreiro
❦ Reina del Mar
O fim de semana Materiais Adversos é um programa gratuito e aberto a todos os públicos.
As pessoas que programam e que tenham interesse em estar presentes no fMA 2026 podem entrar em contacto através do e-mail: sofia.matos@materiaisdiversos.com

Bibi Dória (Campo Grande, 1995) artista interdisciplinar, graduada em Dança pela UNICAMP (BR) e associada a Rose Choreographic School (UK) 2024-26. Trabalha na intersecção entre a dança, a performance e o cinema. Reside em Lisboa (PT) desde 2018 onde desenvolve seus projetos autorais, entre os quais nome de filme (2021) e cão de sete patas (2024), e colabora enquanto performer, assistente de direção e dramaturga junto a vários artistas. Entre eles, Bruno Brandolino (UY), com quem divide a performance e criação da obra LA BURLA (2022). Seus trabalhos permeiam temas relacionados à memória, arquivo, ficção e imaginação. gbidn.com
Sobre a residência
A pesquisa a ser desenvolvida é parte da criação da peça Carnaval na Lama, o último solo que compõe a Trilogia Marginal — uma sequência de trabalhos que investiga a interdisciplinaridade entre cinema, coreografia e performance. Baseados no movimento do Cinema Marginal Brasileiro, ocorrido na década de 1970, e, em especial, na figura emblemática da atriz e protagonista Helena Ignez.

Connor Scott é bailarino, performer e coreógrafo, e vive atualmente em Lisboa, Portugal. A sua prática centra-se nas formas de presença que emergem através dos processos de dança, coreografia e colaboração, trabalhando frequentemente com arquivos de danças folclóricas e sociais como materiais de estudo e elaboração. Com raízes na prática de danças sociais Ballroom e Latinas desde os três anos de idade, formou-se em Ballet e Dança Moderna na Rambert School, em Londres, antes de integrar o programa de performance PACAP(6) no Fórum Dança, em Lisboa, com curadoria de Sofia Dias & Vítor Roriz. Enquanto performer, colaborou com artistas como Theo Clinkard, Michael Keegan-Dolan, Thick & Tight, João Dos Santos Martins, Marcelo Evelin, Sofia Dias & Vítor Roriz, Bruno Brandolino e Leah Morjević, entre outros. Em conjunto com Ana Rita Teodoro, coorganiza o cabaret experimental Primeira Vez no Espaço Parasita e é autor das obras POOF (2023) e Cat-Gut Jim (2025). connorscott.cargo.site

Inês Campos Artista cujo trabalho envolve dança, cinema, música e artes plásticas e explora a relação entre o corpo e o seu lugar simbólico, cruzando o real e o irreal através de um imaginário de realismo mágico. Com a sua última criação fio ^ recebe o prémio de melhor bailarina pela SPA. Para além das suas criações e colaborações artísticas, é co-fundadora das bandas Sopa de Pedra e Tigre, e foca-se atualmente em desenvolver o seu trabalho como atriz na área do cinema. ines-campos.com
Grilo Artista sonoro, performer, compositor e poeta, interessado na utopia e na esperança como ferramenta de resistência. É autor de bandas sonoras para dança, teatro e cinema, gravou em mais de uma dezena de álbuns e apresenta-se ao vivo como improvisador, intérprete e cantautor. Estreou recentemente ivu’kar, uma performance multidisciplinar sobre o invisível e o cuidado e publicou um livro homónimo pela editora Sr.teste. joaogrilo.com
Sobre a residência
Fazer Ideia n.º 3 é a sequela de uma série de performances iniciadas por Inês Campos e João Grilo para espaços não convencionais. Explorando a relação entre o corpo e o espaço simbólico através de uma lente poética e pragmática, convocam questões em torno do desejo e do propósito coletivo. Num gesto contínuo em que corpo, som, texto e ação se entrelaçam, constrõem uma prática de transformação, multiplicidade e imaginação partilhada, que propõe uma experiência participativa.

Luísa Saraiva é coreógrafa, nascida no Porto, e vive entre o Porto e Berlim. O seu trabalho coreográfico explora a linguagem do corpo e da voz, situando-se na intersecção entre o movimento e a composição musical. Tem desenvolvido uma extensa pesquisa sobre o património oral português com uma perspetiva crítica na relação entre tradição, género e poder. Nos últimos anos tem orientado oficinas e participado em debates sobre saúde mental na dança. É co-directora do festival MULA com Cristina Planas Leitão. luisasaraiva.com
Sobre a residência
A nova pesquisa tenta pensar os processos de produção sonora como modelos de relação dinâmica entre corpo, circulação, reverberação e transmissão. Tomando o Leslie speaker e o orgão Hammond como metáforas coreográficas, nesta residência inicio uma investigação itinerante sobre as relações entre diferentes práticas musicais e formas de fisicalidade associadas.

Miguel Bonneville é artista transdisciplinar, cuja prática cruza performance, escrita, cinema e artes visuais. Desde o início da sua carreira, tem trabalhado em ciclos e projectos de longa duração, nos quais a investigação conceptual e a experimentação formal se entrelaçam com um profundo envolvimento biográfico. Em 2025, foi distinguido com o Prémio Literário VS – Ernesto Sampaio. miguelbonneville.com
Sofia Dinger Trabalhando há alguns anos enquanto intérprete e criando vários trabalhos autorais pelo caminho, SOFIA DINGER fez o Mestrado Das Arts em Amesterdão, como bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian. Escreve todos os dias. Interessam-lhe muito os fantasmas. Mas são tantas, tantas as pessoas (daí não citar nomes, todas foram importantes). Anda às voltas pelo mundo. instagram
Sobre a residência
Com os amigos aprendi que o que dói às aves
não é o serem atingidas,
mas que, uma vez atingidas,
o caçador não repare na sua queda.
– Daniel Faria
Quando a luz se apaga, o que resta é a escuta e a tentativa de continuar a ver no escuro. Com Reparar na Queda, procuramos aprofundar uma pesquisa sobre o que significa resistir – ao caos, ao tempo, ao desaparecimento – e continuar a criar a partir do que falha. Dar lugar à queda, não como derrota, mas como possibilidade de transformação.

Pedro Barreiro é um artista que tem desenvolvido inúmeros projectos como encenador, actor, criador cénico, dramaturgista, produtor, programador e curador. Tem-se interessado, nos últimos anos e entre outras coisas, pelo pensamento sobre os actos performativos como geradores poéticos, pela experimentação sobre as convenções constituintes das formas teatrais, e por estratégias de desmantelamento de sistemas hegemónicos na arte contemporânea. Desde 2020 que cria e apresenta ininterruptamente a performance an artist is always working. Foi diretor artístico do Teatro Sá da Bandeira, em Santarém (2015-2017) e colaborou com o Teatro Praga como programador da Rua das Gaivotas 6, em Lisboa (2019-2022). É artista associado do Cão Solteiro, desde 2020. É também membro fundador dos colectivos Sr. João (2010) e Activo Tóxico (2017). É director artístico de O Espaço do Tempo e da Plataforma Portuguesa de Artes Performativas, sendo ainda membro do Board of Directors da European Dance Development Network (EDN). instragram
Sobre a residência
Nesta residência, Pedro Barreiro estará a trabalhar em Escultura, uma das primeiras peças da série The Art Working Series. The Art Working Series é uma série de peças performativas, contextuais e site-specific, regidas pelos conceitos operativos de enquadrar e nomear, explorando diversas variações estéticas na relação entre arte e trabalho, operando também económica e politicamente no encontro entre esses dois campos. Escultura é o título da peça que acontecerá em pedreiras de extração de mármores, calcários ou granitos, onde se poderá observar o corte e a extração de um bloco de pedra de grandes dimensões. O corte e a extração desse bloco de pedra será a performance que os espectadores ali irão testemunhar, sendo a mesma performada pelos trabalhadores da pedreira que ali estarão a realizar a sua actividade laboral quotidiana.

Reina Del Mar natural da Serra D’Aire é o alter-ego de uma curadora entre a programação e produção cultural, criação artística e sonora. Investiga as possibilidades da escuta como prática feminista para composição de arquivos, entre-ajudas, ferramentas e afetos. Cria manuais de instruções estragados que mergulham entre o nevoeiro do hiper-estímulo e a fluidez da atenção. Faz parte do armazém e coletivo artístico Pedreira no Porto e da equipa de curadoria do Festival Tremor nos Açores. reina-del-mar.com
Sobre a residência
Serra Juntas é uma ferramenta em metal que por vezes de tanto uso parece estragada mas funciona, duas varas de aço que se apertam entre si, levam com tanta martelada que se entortam. Crescer na Serra é como um Serra Juntas, levas martelada pareces estragada ficas torta mas acabas por ir funcionando.
Vamos Juntes – Serras Juntas pretende-se (talvez) a continuação dos vade-mécum (vamos juntes) manuais de instrução estragados que através do texto e som sedimentam mapas de significados com momentos de remix, escuta e partilha. Queria continuar a questionar os limites dos formatos de criação, curadoria e programação partindo do mito da caverna e do imaginário rochoso calcário serrano.
O fim de semana Materiais Adversos conta com o apoio da:
