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festival materiais diversos

O festival materiais diversos promove encontros entre públicos e imaginários diversos através das artes performativas e do pensamento crítico. Nascido em Minde e alargado a Alcanena em 2013, adotou o formato bienal em 2019. Com base na dança, expande-se para as artes performativas e novas linguagens, incluindo práticas híbridas. Com a próxima edição em 2027, afirma-se como uma experiência descentralizada realizada em outubro em Alcanena e Minde, reforçando o acesso à arte contemporânea.

Tomar posição é o eixo central do projeto: um festival enraizado no território e atento ao mundo, que articula escalas locais, nacionais e internacionais através da criação contemporânea. A questão já não é o que representa um festival, mas o que ele faz em tempos de crise sistémica. A resposta não é de certeza, mas de responsabilidade: imaginar um espaço capaz de acolher contradição, conflito e dissenso, aproximando universos artísticos e públicos plurais em aprendizagem de coabitação no presente.

Um festival não resolve estas tensões, mas cria condições para que se tornem visíveis, discutidas e experienciadas coletivamente. Ao operar como um hífen entre dimensões políticas, sociais e estéticas, contribui para a emergência de imaginários coletivos que desafiam narrativas dominantes e ensaiam outras formas de viver em conjunto, ainda que de forma temporária. Os festivais são momentos de aceleração: condensam tempo, intensificam encontros e colocam práticas, ideias e públicos em alinhamentos provisórios, onde o objetivo não é o consenso, mas o atrito produtivo entre perspetivas. Esse hífen permite que o local e o global coexistam sem apagamento.

Ao privilegiar menos estreias e mais presença, o programa aposta em obras internacionais de pequena e média escala apresentadas pela primeira vez em Portugal, em diálogo com apresentações de artistas sediados no país que abordam questões urgentes do presente. Com formatos flexíveis e forte inscrição em espaços não convencionais, constrói constelações artísticas que criam condições para que as obras permaneçam, ressoem e gerem diálogo, reforçando a sua vocação como plataforma de visibilidade, pensamento e transformação situada.

Recusando fronteiras rígidas entre disciplinas, integra dança, teatro, performance, práticas híbridas, pensamento crítico e participação comunitária em teatros, espaços públicos e paisagens do território. Em outubro, transforma o território num laboratório temporário de coexistência artística, política e social. Enraizado no contexto local e conectado a redes internacionais, afirma-se como um organismo poroso que promove liberdade artística, apoia a criação emergente, amplia o diálogo entre públicos e contribui para uma visão mais equitativa e inclusiva da sociedade.